São José de Mipibú - RN / Arquidiocese Natal
Mostrando postagens com marcador fé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fé. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tenho fé e não creio?!

O ateu confunde Deus com uma idéia. Eis uma provocação que merece um movimento discursivo e cíclico, ou seja, um aprofundamento onde um mediador enredaria uma partilha entre um crente e um ateu que se aventurariam a dizer as “motivações” da sua fé ou não crença em Deus.

Antes de qualquer desdobramento cabe a diferenciação do que seja “Crer e ter Fé”. Claro que aqui entraremos num jogo, que para alguns será retórico, já que, é impossível ter fé sem crer e crer sem ter fé. Vejamos alguns pontos:

1) A Fé: esta é uma virtude teologal, ou seja, é um dom sobrenatural concedido por Deus que permite ao Homem a comunhão com Ele. Ela existe com mais duas forças que são a Esperança e o Amor. A Fé e a Esperança pertencem só ao Homem. Elas preparam o ser humano para alcançar a plenitude da vida, que é o encontro com Deus. São Paulo fala das três, mas sem nunca esquecer quem é o pináculo da escalada (cf. 1 Cor 13,1-13). Se essa possibilidade é existencial e histórica, ela tem sua fonte em Deus, pois Ele é amor (cf. 1Jo 4,7-21) e nos conduz para o Amor. Deste modo podemos afirmar que a confusão que é feita por um ateu começa por falta de amor e que depois será substituído por uma idéia. O atual Papa, Pontífice e Teólogo, Bento XVI, vem refletindo e afirmando constantemente essa verdade teológica, epistemológica e humana. A Fé, como experiência humana, torna o humano inquieto e buscante de Deus, que é uma Pessoa, que se encarnou e habitou na História Humana (cf. Jo 1,14). A Fé nos leva ao encontro com este Mistério de Amor.

2) A Crença: esta é embasada por elementos objetivos. Estes são meios de construção e constituição da hierarquia das verdades. Em todas as religiões existem as crenças. No Cristianismo temos o “Símbolo Apostólico”, ou o “Credo” como comumente é conhecido. Ele preenche a necessidade subjetiva da pessoa, que deseja dar respostas aos questionamentos intrínsecos à experiência de quem crê. Estas verdades, conseqüências da única e eterna Verdade, para ser conteúdo da Revelação, precisam ser manifestada(s) por Deus (cf. Mt 16,16-17), através daqueles que foram encarregados de as guardar. Por isso, falamos do “Símbolo dos Apóstolos”. O apóstolo das gentes não contradiz a Tradição cristã quando trata da Fé como meio para justificação, em Cristo Jesus (cf. Rm 5). No Evangelho de S. João esta síntese teológica, cristológica e pneumatológica é tratada de forma complementar entre uma Fé que necessita crê e uma crença que precisa ter Fé.

O aprofundamento de como esta relação se deu no decorrer da História da Igreja nos colocaria diante de uma análise e de um verdadeiro anseio de renovação evangelizadora e pastoral. O que é irrenunciável à sincera experiência de Fé é a conversão. Deixemos a indagação: as nossas “crenças” realmente foram instrumentos que ajudaram na mudança dos batizados e comunidades cristãs? Aqui incluímos todas as realidades eclesiais. O intento da V Conferência latino-americana, realizada em Aparecida, nos coloca diante deste imenso e necessário desafio da ação evangelizadora da Igreja da América Latina.

Por fim, confiemos na ação do Espírito da Verdade que, derramado sobre nós, pode nos unir e fortalecer para que o mundo creia e crendo tenha a vida eterna. A nossa crença não pode ser como a dos ateus, que se envenenaram com uma idéia, e sim como aquela que é qualificada pela Fé em Jesus Cristo que diz: “a tua fé de salvou!”(cf. Lc 18,42-43). Assim o seja!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Quem se afasta da igreja...

Nós precisamos da igreja para estar em comunhão com Deus? Me parece na atualidade um questionamento de suma importância. Cada vez mais as pessoas criam ou são levadas a criar "imagens de deus". Hoje existe um deus para curas, para mediador da prosperidade, vigilante de todos os males, pai de santo e infortúnios, apagão de pseudo-intelectuais, pois estar virando moda o desrespeito aos acadêmicos que professam a sua fé, um deus que se combate entre irmãos que dizem acreditar num único senhor etc...

A crítica feita por Ludwig Feuerbach, infelizmente ou felizmente, devemos reconhecer, está ganhando materialidade. Segundo ele, "a essência do homem, em contraste com a do animal, não é apenas o fundamento, mas também o objeto da religião... que é a consciência que o homem tem do infinito" (Essência do cristianismo, cap. I). Claro que o referencial do infinito aqui não é Deus, mas a potencialidade do humano pensar como perfeito e divino o que existe em função de simesmo (Idem). As formas relativistas e babélicas das varias comunidades religiosas estão nesta linha de raciocínio. A Igreja no momento não está sendo mediadora fundante das experiências religiosas. As tendências são individuais e por incrível que pareça, despersonalizadas. O conceito de doutrina se tornou confuso e caótico.

Cada um prega o que e como quer. Basta vermos os pregadores de plantão nos meios de comunicação. Ninguém sabe o que se diz. Basta que seja dito. Como as pessoas foram e continuam sendo levadas a não acolher ou mais propriamente se converter a Deus pela mediação objetiva da Igreja, desde a reforma protestante, então cada um tem a liberdade para interpretar o que não se ver e o que ninguém mais testemunhou. Eis à nossa frente o triste fenômeno da manipulação do sagrado como forma aberrante de tornar, de fato, a religião um "ópio do povo".

Em outro momento, afirmei que "a Páscoa é a metáfora imanente do humano transcendente". Nós, cristãos, católicos precisamos entender e acreditar que mediante a liturgia, fazemos memória dos acontecimentos históricos da ação de Deus na vida dos homens e mulheres que se converteram a Ele. Por isso que, não podemos confundir manifestações tradicionais da mitologia com as demonstrações culturais das Tradições salvíficas do Senhor. Nas conversas e direções espirituais com pessoas que se afastaram da Igreja, lanço uma pergunta que sempre deixam as pessoas um pouco inquietas: Depois que deixou de celebrar a sua fé, você veio a ser mais feliz?

A resposta, até o momento, foi negativa. Jesus é a nossa Páscoa. Ele é o humano no qual nossa transcendência ou a nossa capacidade de Deus se torna acontecimento real e esperançoso da Vida plena. Já estar morto quem não está na presença de Deus! A Igreja, santa e pecadora que é, continua sendo necessária para o fortalecimento objetivo da nossa "carência" Dele. Pela falta de conversão pode ser apagado o humano que é divino; mas nunca poderemos destruir o divino que é humano.

Por fim, a Páscoa de Cristo é sempre um convite para que os cristãos repensem o sentido da vida. Ele é o Ícone de Deus manifestado ao mundo para que todos, que Nele acreditarem, possam ter a Vida eterna, que consiste no conhecimento do único Deus verdadeiro, e aquele que por Ele foi enviado, Jesus Cristo (cf. Jo 17,3). Assim o seja!