São José de Mipibú - RN / Arquidiocese Natal
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Papa e os preservativos

Nestes últimos dias surgiram divulgações e comentários jornalísticos em torno da resposta do Santo Padre, O Papa Bento XVI, o qual ao ser indagado sobre a questão do uso dos preservativos declara: “É obvio que ela (a Igreja) não os vê como uma solução real e moral. Não obstante, em um ou outro caso, podem ser, ‘na intenção de reduzir o perigo de contágio’, um primeiro passo no caminho rumo a uma sexualidade mais humana” (cf. Zenit). Contudo, muito mais relevante para compreensão do pensamento do Pontífice é o que ele afirma sobre o significado da sexualidade: “O importante é que o homem é alma e corpo, que ele é ele mesmo enquanto corpo e que, por isso, é possível conceber o corpo de forma positiva e a sexualidade como um dom positivo. Através dela, o homem participa da condição criadora de Deus. Encontrar esta concepção positiva e cuidar desse tesouro que nos foi dado é uma grande tarefa” (Idem). Estas questões podem ser lidas no livro “Luz do Mundo”, que segundo o autor, Peter Seewald, o papa apresenta um amplo “panorama”, em seis horas de entrevista realizadas em junho passado, em Castel Gandolfo, na residência de verão dos pontífices.

O que o papa disse em hipótese alguma fere o que é magistério eclesiástico. O bombardeio jornalístico focou a atenção muito mais no uso da camisinha do que na afirmação do pontífice sobre o sentido da sexualidade. Sem dúvida, com um teor de ideologia da ditadura do relativismo Posmoderno, foi imediatamente traçado uma massificação das palavras do pontífice para que o uso das “sacolas de plástico” possa passar a ser visto, paulatinamente, como a solução para os reais problemas que afligem a vivência da sexualidade, que “é uma componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de se comunicar com os outros, de sentir, de expressar e de viver o amor humano. Esta capacidade de amor como dom de si tem, por isso, uma encarnação no caráter esponsal do corpo, no qual se inscreve a masculinidade e a feminilidade da pessoa. (...) A sexualidade deve ser orientada, elevada e integrada pelo amor, que é o único a torná-la verdadeiramente humana. Quando tal amor se realiza no matrimônio, o dom de si exprime, por intermédio do corpo, a complementaridade e a totalidade do dom; o amor conjugal torna-se, então, força que enriquece e faz crescer as pessoas e, ao mesmo tempo, contribui para alimentar a civilização do amor; quando pelo contrário falta o sentido e o significado do dom na sexualidade, acontece uma civilização das coisas e não das pessoas; uma civilização onde as pessoas se usam como se usam as coisas. No contexto da civilização do desfrutamento, a mulher pode tornar-se para o homem um objeto, os filhos um obstáculo para os pais” (cf. sexualidade humana: verdade e significado, 10).

A assertiva do pontífice deverá ser interpretada tendo-se em vista questões urgentes e circunstanciais. A sexualidade não perde sua finalidade de ser meio de realização da pessoa humana. A vivência da sexualidade implica doação e integração total. Por sinal, uma das características de pessoas que vivem uma sexualidade desumanizada é desequilíbrio psicossocial. Basta conversarmos com pessoas que têm esta vivência. Mas não deveria ser o contrário!? Só que não é. Pela sua significância para realização humana, a sexualidade só é meio de satisfação psicoafetivamente e conseqüentemente, potencialidade criadora da Civilização quando tem sua intenção finalística plenamente respeitada.

Por fim, que a experiência do amor seja a qualidade inerente às relações sexuais e que, assim sendo, tudo possa ser um sinal deste amor do Criador. Assim o seja!

sábado, 12 de junho de 2010

Santo Antonio e o casamento

Santo Antonio nasceu em Lisboa, Portugal, com o nome de Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo, em 15 de Agosto de 1195. Morreu dia 13 de Junho de 1231. Frei Antonio tinha apenas 36 anos de idade. O Povo brasileiro, assim como o português, inclui nas virtudes do santo que se festeja a 13 de Junho, a de “milagroso casamenteiro”. Haverá quem diga que descobrir um noivo arisco é atribuição do advogado das causas perdidas. E Santo Antonio é, também, como se sabe o advogado das coisas inencontráveis.

O catecismo da Igreja católica lembra que “a aliança matrimonial, pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão da vida toda, é ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole, e foi elevada, entre os batizados, à dignidade de sacramento, por Cristo Senhor (cf. CIC, 1601)”. Disto se infere três dimensões da aliança que fundamentais para a realização humana e vocacional do Homem e da Mulher, a saber: 1) A comunhão de vida dos cônjuges; 2) O bem dos mesmos e 3) A geração e educação dos filhos.

1) Base teológica para a relação conjugal é o amor Uno e Trino. Deus é amor e quem permanece no amor, permanece em Deus (cf. 1Jo 4,8). O amor tem sua fonte no próprio amor. A Trindade é a fonte da comunhão. O Outro é o meio pelo este se manifesta e se realiza. Uma das grandes lacunas que levam à crise a vida matrimonial, na atualidade, é o fato de que o materialismo exacerbado menosprezou o que, só na pessoa, não tem consistência permanente. O que inquieta a vida humana é sua imanência que olha para o transcendente. Nas relações humanas o Eu terá sempre uma abertura para o Tu, que pela integração biológica, psicológica e espiritual forma um Nós, em comunhão de vida e amor.

2) O bem é a felicidade do Homem e da Mulher que desejam estabelecer o seu novo lar. A sua doação é o futuro da sociedade. “Sem casamento entre um Homem e uma Mulher o futuro da sociedade está comprometido”. Como falar duma integração humanizada e antropologicamente equilibrada sem relação “biológica”, psicológica e espiritual. A felicidade não dispensa a condição humana; mas, ao contrário, do que a ditadura do relativismo está querendo injetar, é a condição sem a qual o humano possa ser verdadeiramente civilizado, tanto objetiva como subjetivamente.

3) A geração e educação dos filhos é conseqüência existencial do casal que amando se doa para gerar a comunhão que, por sua vez, promove e zela pela vida. Os filhos são fruto do amor. Aqui vale incentivar e agradecer a Deus pelas atitudes dos homens e mulheres casados que adotam e amam outras crianças! A vossa comunhão no diferente proporcionará o justo meio daquele(a) que for acolhido por vós. Deus vos abençoe!

Por fim, a sociedade precisa da família com aquilo que a identifica. Ela continua a ser o lugar por excelência de harmonização das personalidades. Os erros estruturais da cultura do ódio e das separações não podem ser vias interpretativas para a dissolução ideológica do grandioso valor do casamento e da família humana. O simbolismo religioso da figura deste franciscano é atual e provocante. Que Antonio, o santo casamenteiro, nos defenda disto! Assim o seja!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O amor se nutre da amizade

Como sacerdote, percebo pelas conversas com casais de namorados, noivos, cônjuges de longa vivência matrimonial, grupos de casais da pastoral familiar, e, claro, amigos e amigas que partilham suas experiências e anseios existenciais, que o amor precisa se nutrir e ser nutrido pela amizade. Na direção espiritual e no contato com aqueles que me buscam para recepcionarem o sacramento da misericórdia, sinto que a harmonia daqueles que se dizem enamorados acontece pela correspondência de quem acolhe e é acolhido no, e, pelo relacionamento que se identifica por amoroso.

Mas alguém poderia perguntar, quando é que se encontra o verdadeiro amigo ou amiga, ou ainda, como saber que aquele que está comigo é meu amigo ou minha amiga? Posso utilizar o livro do Eclesiástico (6,7-12) que faz ponderações interessantes sobre alguns amigos ao dizer que "se queres um amigo, adquire-o pela prova e não te apresses em confiar nele. Porque há amigo de ocasião: ele não será fiel no dia de tua tribulação (o desleal). Há amigo que se torna inimigo e que revelará querelas para tua vergonha (o traidor). Há amigo que é companheiro de mesa, mas que não será fiel no dia da tribulação (o egoísta). Na tua prosperidade é como se fosse um outro tu, falando livremente a teus servos (o oportunista); se és humilhado, estará contra ti e se esconderá da tua presença (o covarde)". As qualificações são antinomias postas por mim. Porém, o mais significativo e remediável o que o referido autor ao dizer o seguinte: "Um amigo fiel é um poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro. Um amigo fiel não tem preço, é imponderável o seu valor. Um amigo fiel é um bálsamo vital e os que temem o Senhor o encontrarão. Aquele que teme ao Senhor faz amigos verdadeiros, pois tal como ele é, assim é seu amigo (6,14-17)". Categoricamente o que na segunda parte é afirmado é que o verdadeiro amigo é 'Fiel'.

Nas várias relações amorosas será que nós nos confrontamos com quais protótipos que o autor coloca? Fazendo a análise e as devidas observações será possível discernir por quais vias se pode caminhar para as boas e belas amizades aconteçam e por elas as encantadoras experiências de amor. Mas, novamente se poderia perguntar, como saber que esta amizade já se realiza de modo mais plenificado e permanente?

Mais uma vez me reporto à sabedoria tão antiga e tão nova que são os ensinamentos da Sagrada Escritura, a saber: conferindo o texto sagrado se encontra o que "o amor e como toma a sua forma resignificada na vida daqueles que se amam ao dizer que "o amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá (cf. 1 Cor 13, 4-8)". A conclusão que pode ser tirada é que só esse amigo fiel poderá nutrir este amor que se renova constantemente por aquilo que é próprio do amor.

Por fim, as várias tendências relativistas que se relativizam, através dos elementos peculiares da época pos-moderna, racionalizam estas formas intrinsecamente humanas de vivência da integração e do verdadeiro prazer das relações sociais. As neuroses e desencontros presentes nos comportamentos individuais e coletivos só tendem a piorar se a deslealdade, o egoísmo, o oportunismo e a covardia nortearem os vários relacionamentos. Mas como somos filhos da Esperança, podemos dizer que o nosso grande amor deve ser o nosso melhor amigo ou amiga. Assim o seja!